Ilustração de casal na janela e a mulher está grávida
Novas diretrizes orientam como evitar violência contra a mulher no parto

Novas diretrizes orientam como evitar violência contra a mulher no parto

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) lançou diretrizes oficiais para evitar violências contra as mulheres grávidas. Inserido em uma série de publicações da entidade sobre temas controversos, o “posicionamento oficial Febrasgo sobre violência obstétrica” visa qualificar a assistência ao parto e assegurar, o respeito à autonomia da grávida. É também parte das ações de educação continuada da instituição.

A reboque da discussão sobre o uso do termo “violência obstétrica” e diante da emergência de uma nova construção legal sobre os elementos da qualidade da assistência obstétrica, a Febrasgo entende que o tratamento abusivo dado às mulheres pode acontecer durante toda a gravidez, parto e puerpério. “O termo ‘violência obstétrica’ tem dois lados. Um deles é o de trazer à tona os atos violentos sofridos pelas mulheres, que viviam no subterrâneo. O outro, entretanto, faz crer que a violência é só praticada pelo médico. Porém, ela é muito mais do que isso”, explica o professor titular de ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e presidente da Febrasgo, César Eduardo Fernandes.

De acordo com a Federação, a violência acontece em falhas sistêmicas nos diferentes níveis de atenção dos sistemas de saúde. O que abarca atos de violência em três níveis: emocional, verbal e até sexual. No posicionamento, a Febrasgo defende que a questão central é o respeito à autonomia da mulher. Nesse sentido, prevê o estabelecimento da comunicação clara e de um vínculo entre parturiente, família e equipe.

“A assistência ao parto mudou muito nos últimos anos. Havia crenças de gerações de médicos anteriores que se mostraram equivocadas. As nossas recomendações são no sentido de empoderar a mulher. Nossa proposta é de um médico respeitoso. Não podemos dar endosso à violência, especialmente se ela for praticada por um colega nosso”, afirma César Eduardo Fernandes.


Recomendações

No posicionamento, a Febrasgo elenca diretrizes em sete aspectos. No quesito individualidade, é considerada boa prática chamar a parturiente pelo nome, jamais utilizando apelido. No momento da internação na maternidade, o órgão recomenda internar a gestante para assistência quando ela estiver na fase ativa de trabalho de parto. Em relação aos acompanhantes, é orientado estimular a facilitar a presença dele no ambiente de assistência ao trabalho de parto, de acordo com a livre escolha da parturiente. Também é fundamental que esse acompanhante seja incluído nas discussões e disseminação de informações sobre o que está sendo realizado.

A mulher deve ter liberdade para ingerir líquidos claros durante o trabalho de parto ativo, desde que seja uma gestante de Risco Obstétrico Habitual. Sobre o preparo ao parto, a Febrasgo não recomenda a realização compulsória de tricotomia e enemas. No que diz respeito à monitorização fetal, é recomendado manter ausculta fetal intermitente nas pacientes de baixo risco, permitindo que parturiente e acompanhante também possam ouvir os batimentos cardíacos fetais.


O parto

Sobre o momento do nascimento, a Federação orienta que a gestante possa escolher a posição mais confortável e que sejam estimuladas aquelas verticais. Também devem ser oferecidos métodos não farmacológicos de alívio de dor, incluindo o apoio contínuo durante o trabalho de parto. É preciso também deixar que a gestante escolha o momento de ter a analgesia farmacológica, garantindo a ela informações sobre o tema. Sobre o procedimento da episiotomia, o órgão recomenda não realizá-lo como rotina, apenas quando houver a percepção de necessidade. Nesses casos, é fundamental informar e justificar à parturiente e ao acompanhante. Logo após o nascimento, deve-se promover o contato pele a pele da mãe com o filho, independentemente da via de parto. Ao fim do documento, a Febrasgo indica a promoção de medidas de redução de hemorragia no 4º período do parto. “Muitas vezes o que falta é a explicação calma, detalhada, dando oportunidade ao contraditório, para que a equipe de saúde possa aclarar o que está acontecendo à mulher”, alerta César Eduardo Fernandes.

figura mulher grávida em posições de parto