Ilustração de casal na janela e a mulher está grávida
GRAVIDEZ: O que considerar na escolha da equipe de saúde:

GRAVIDEZ: O que considerar na escolha da equipe de saúde:

O momento da descoberta da maternidade é permeado de escolhas decisivas para a qualidade da experiência gestacional. Encontrar a equipe que irá acompanhar o pré, o parto e o pós-parto, de acordo com as necessidades da própria gestante e as possibilidades determinadas por fatores sociais e econômicos, é um desafio. Para selecionar com mais assertividade os profissionais que irão acompanhar a gestante, é preciso entender, antes de tudo, a competência de cada integrante da equipe de saúde no processo de nascimento de uma criança.

Em relação à escolha dos médicos, é preciso compreender que a realização do pré-natal não é atribuição exclusiva do obstetra. “Na maioria dos países desenvolvidos, o pré-natal de baixo risco sequer é realizado por médicos – sendo acompanhado por enfermeiras ou obstetrizes. Pode parecer estranho, por ser tão diferente do modelo brasileiro, mas o fato é que nesses países os obstetras em geral são chamados para acompanhar gestações de alto risco ou quando é necessária uma cesariana”, explica o médico da família e idealizador do aplicativo Canguru, Gustavo Landsberg.

            Diante disso, é preciso criar desde cedo a consciência de que o profissional que acompanha o pré-natal não é necessariamente aquele que realiza o parto. “Trabalho de parto não tem dia nem hora para ocorrer, por isso é importante criar um vínculo não apenas com o prenatalista, mas também uma relação de confiança com a maternidade onde se planeja que será feito o parto”, lembra Landsberg. Questões que devem ser levadas em consideração, por exemplo, são se a maternidade tem salas de pré, parto e pós-parto (PPP); se existem leitos de UTI neonatal; a qualidade da equipe de plantonistas; se existe uma equipe multiprofissional; quais as taxas de infecção hospitalar da unidade; e as taxas de cesariana e de procedimentos como a episiotomia. Considerando isso, parte-se para a escolha do obstetra.

Como escolher o médico obstetra

Apesar de se tratar de um acompanhamento clínico relativamente simples, o pré-natal requer conhecimento e atualização sobre os procedimentos recomendados, sejam eles exames, vacinas, consultas ou suplementos alimentares. O médico precisa saber que a não realização de procedimentos mínimos recomendados pode mascarar situações de risco para a mãe e o bebê. “De maneira análoga, a realização de exames ou tratamentos desnecessários, ou mesmo contraindicados, pode causar dano”, ressalta Landsberg. Também é imprescindível que o profissional saiba reconhecer padrões que fogem à normalidade.

Outro ponto relevante é que o profissional que acompanha gestantes deve estar disposto a se comunicar sobre os mais diversos temas que envolvem a gestação, pois ele é visto como fonte confiável de informação pelas grávidas. Não menos importante, é saber respeitar as opiniões e os desejos da mulher. “A medicina baseada em evidências pressupõe que as melhores evidências científicas devem estar sempre alinhadas às preferências do paciente e ao seu contexto cultural”, detalha o criador do aplicativo Canguru.

Grávida sentada na cama com as mãos sobre a barriga

Uma boa maneira de fazer essa procura pelo obstetra é conhecer as opiniões dele, por meio de uma conversa. Outra fonte de informação pode ser o próprio plano de saúde. Eles são obrigados por lei a fornecer para a gestante as taxas de parto normal e cesariana de cada médico, sempre que a paciente solicitar.

Antes mesmo de escolher o obstetra, a primeira tarefa para a gestante e a família é entender quais as necessidades dela. A melhor maneira de fazer isso, de acordo Gustavo Landsberg, é produzir um plano de parto. Esse é um documento didático, criado por iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), no qual a grávida demarca quais as suas preferências em relação ao nascimento do bebê, desde a admissão no hospital até os primeiros cuidados com o recém-nascido. A escolha de um bom médico é determinante para uma boa qualidade do acompanhamento pré-natal e um parto saudável. No entanto, as gestantes não devem depositar tamanha responsabilidade apenas em um profissional.