Ilustração de casal na janela e a mulher está grávida
Ferramentas para empoderar a mulher antes do parto

Ferramentas para empoderar a mulher antes do parto

Uma das premissas para uma boa experiência de parto é que os desejos da mulher sejam respeitados em todas as etapas. Para que isso aconteça, não basta ter uma equipe preparada, os melhores equipamentos dedicados à saúde e a mais moderna infraestrutura hospitalar. É preciso que a mulher esteja consciente dos seus direitos e empoderada em relação às etapas da gravidez, inclusive para orientar os profissionais sobre as próprias expectativas diante do nascimento do bebê.

            O processo de empoderamento depende, por princípio, do interesse da mulher na busca por informações, o que pode ser feito a partir das consultas médicas, do acolhimento com uma equipe multiprofissional ou por meio de rodas de conversa com outras gestantes. A mulher pode preencher ainda alguns documentos para transferir, de maneira clara, os anseios à equipe. “A protagonista do parto é a mulher, então ela precisa ir em busca de informações. A busca principal precisa ser dela e, a partir disso, ela encontrará as fontes”, detalha o obstetra preceptor do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM-UPE), Thiago Saraiva.

Antes do parto

Durante a gestação, a mulher tem várias formas de buscar informações e começar a construir de forma documental como deseja o parto. Uma delas é frequentando rodas de conversa entre gestantes, que são encontros periódicos, geralmente organizados por obstetras dedicados ao parto humanizado, enfermeiras obstétricas ou doulas. Nesses momentos, são trocadas experiências de maternidade e repassados alguns conhecimentos sobre a vivência conjunta da gestação. As rodas também são espaços para formar e municiar de informações a rede de apoio da grávida, isto é, o companheiro e outros parentes.

Outra forma de se preparar é realizar cursos de gestantes, aulas teóricas e expositivas que são oferecidas em alguns hospitais e clínicas sobre informações do período da gestação, o parto e o puerpério. Esses cursos costumam durar um dia inteiro e também podem ser frequentados em conjunto com a rede de apoio. O conhecimento adquirido nessas vias serve, entre outras questões, para embasar alguns documentos que a mulher precisará preencher ao longo da gestação.

O plano de parto

Uma das formas de a mulher deixar registrados todos os desejos dela a respeito do nascimento do bebê é por meio do plano de parto. Esse é um documento no qual ela irá detalhar, em vários aspectos, as expectativas sobre o parto. No plano de parto, poderá ser dito o tipo de parto que a grávida prefere, o local onde será realizado e quem será o acompanhante. Também pode-se dizer quem será a equipe, se a grávida quer uso de técnicas não farmacológicas de redução da dor, se quer ouvir música, se gostaria de se alimentar e que tipo de alimento irá preferir, dentre outros detalhes. “No plano de parto, a mulher pode detalhar a filosofia do parto dela. Faz parte do processo que a equipe entenda quais as expectativas da mulher sobre aquele momento. Esse plano pode ser construído junto com a equipe de assistência. Sabemos que o parto é muito do nosso lado animal, então a mulher costuma ir para o que chamamos de “partolândia”, entrar num estado irracional, no qual não consegue tomar decisões conscientes no meio do processo”, explica Thiago Saraiva. 

Outros documentos

Além do plano de parto, há outros documentos que a mulher precisa preencher antes e depois do parto e para os quais também precisa estar municiada de informações. O cartão da gestante, por exemplo, é um documento em que há uma síntese do pré-natal, onde são registrados pelos profissionais o ganho de peso, como foi o acompanhamento ao longo das semanas de gestação, a evolução nutricional e da curva de altura uterina, a quantidade de consultas realizadas, etc. Esse documento é importante, sobretudo, se o parto ocorrer com uma equipe plantonista, para que seja avaliado o risco do nascimento. O termo de consentimento livre e esclarecido, por sua vez, é um dispositivo usados pelas equipes para assegurar que a mulher confirme a consciência que tem sobre os riscos dos procedimentos pelo qual ela irá se submeter. O ideal é que ele seja feito antes que a mulher entre em trabalho de parto, de preferência ainda no consultório. A declaração de nascido vivo, documento que é preenchido logo após o nascimento da criança, traz informações de caráter epidemiológico e, para tanto, a mulher também é consultada. “O trabalho de parto é 90% cabeça. Então, a mulher que está preparada, tem informações, costuma ficar mais tranquila. O que fará toda a diferença na evolução do parto”, conclui Thiago Saraiva.