Ilustração de casal na janela e a mulher está grávida
Escolha do parto é importante decisão para gestante

Escolha do parto é importante decisão para gestante

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países com maior taxa de cesarianas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ao todo, 55,5% do total de partos são por esta via, o que nos deixa atrás apenas da República Dominicana. Estima-se que o número de cesáreas ocorridas por motivos de saúde é de 10% a 15%.

O aumento da ocorrência deste tipo de parto no mundo inteiro foi tão impactante que levou a ser descrito como uma “epidemia” durante o Congresso Mundial de Ginecologia e Obstetrícia de 2018 pela revista Lancet. No Brasil, existe uma série de fatores que contribui para as elevadas taxas.

“A má monitorização do bem-estar fetal durante o trabalho de parto e a má qualidade assistencial no pré-natal e, principalmente, no parto, levam a uma taxa inaceitável de complicações maternas e neonatais nos partos normais no Brasil, criando uma falsa percepção para a população leiga de que a cesárea é mais segura para a mãe e para o bebê do que o parto normal”, diz Lucas Barbosa da Silva, médico doutor em Ginecologia-Obstetrícia pela Faculdade de Medicina (Unesp) e professor do curso de Pós-Graduação em Urgência, Emergência Médica E Terapia Intensiva (UETI) da Faculdade Unimed.

Para o médico, este movimento de culturalização da cesárea no Brasil causou um aumento expressivo a pedido das próprias gestantes. “Além disso, o processo de judicialização da saúde gerou um mecanismo de defesa da classe médica obstétrica em realizar mais cesáreas, uma vez que a maioria dos processos se referem a complicações do trabalho de parto e não da cesárea”, continua.

Junta-se a este fator a questão do custo dos dois tipos de parto. “O modelo de pagamento do parto na Saúde Suplementar não estimula o parto normal, já que a diferença do honorário médico entre a cesárea e a assistência ao parto normal é muito pequena.”, completa.

Os custos dos procedimentos são, de fato, similares. Um estudo da Fiocruz, publicado em 2017, analisou os custos da atenção hospitalar ao parto vaginal e à cesariana eletiva para gestantes de baixo risco no Sistema Único de Saúde (SUS). A média do custo do procedimento parto vaginal foi de R$ 808,16 e variou de R$ 585,74 a R$ 916,14 entre as maternidades. Já custo médio da cesariana eletiva foi de R$ 1.113,70 com variação de R$ 652,69 a R$ 1.516,02. Se incluirmos o período de permanência em quarto coletivo, o custo médio do parto vaginal foi de R$ 1.397,91 e da cesariana R$ 1.843,87 – 32% superior ao parto vaginal.

Em ambos os casos, o item que mais ocupou espaço no orçamento foi recursos humanos: 89% no parto vaginal e 81% na cesariana. Porém, o tempo gasto nos dois tipos de parto é díspar. “A cesárea é um procedimento cirúrgico relativamente simples e rápido, durando em média 30 a 40 minutos. Já trabalho de parto em uma primigesta pode durar de 10 a 12 horas”, comenta Silva.

Estimulando o parto vaginal entre a equipe médica

A assistência ao parto no Brasil ainda é muito centrada no médico. No entanto, essa realidade vem mudando – o que é bom para a mãe, para o bebê e para a equipe envolvida no processo como um todo.

“Com a equipe multidisciplinar, é evidente a queda a cada ano do número de cesarianas”, acredita Carlos Politano, membro da atual diretoria da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp). Uma melhor ambiência hospitalar e uma equipe forte podem favorecer os partos por via vaginal no Brasil como um todo da mesma forma que ocorre em países como França, Canadá, Inglaterra e Holanda.

Junto a estes fatores, alguns planos de saúde também vêm estimulando o parto normal. “Quando é realizado parto normal, estes pagam duas a três vezes o valor da cesariana”, afirma Politano.

infográfico com imagem de ilustração de grávida e bebê no útero com a seguinte informação: O excesso de cesáreas desnecessárias e sem indicação clínica, contribuem para riscos à saúde materna e infantil. Uma cesárea sem indicação médica pode aumentar em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplicar o risco de morte da mãe. Preocupados com o bem-estar e o cuidado oferecido às gestantes, a Seguros Unimed aderiu ao projeto parto adequado, oferecendo às seguradas um cuidado personalizado nesse momento tão importante, que é o nascimento e a chegada de um bebê.

De fato, é importante analisar o custo da atenção perinatal. “O aspecto financeiro é importante, mas o médico deve se atentar, principalmente, aos benefícios maternos e neonatais do trabalho de parto e do parto normal para mãe e bebê”, aponta Silva.

Estudos recentes indicam que, além do benefício emocional, o parto por via vaginal induz a descida do leite mais precoce e em maior volume em comparação à cesárea. “O sangramento uterino é menor no parto normal e a contração e involução uterinas mais precoce e efetiva. Com isso, a recuperação materna e o sucesso no aleitamento exclusivo são muito melhores”, diz.

Em relação ao bebê, Silva afirma que aqueles nascidos de parto normal são mais ativos, têm uma sucção mais eficiente, menos distúrbios respiratórios e endócrino-metabólicos (hipoglicemia, icterícia etc.) e, por adquirirem os lactobacilos vaginais maternos durante a passagem pelo canal de parto, apresentam um risco menor de doenças alérgicas e autoimunes na vida futura – entre elas asma, doença celíaca, doença inflamatória intestinal, etc.

“Devemos sim cada vez mais conscientizar a população e classe médica – estes últimos com programas de educação continuada – sobre a importância de conversar com o pré-natalista e juntos concluírem qual a melhor via de parto. Estamos em um momento no qual temos que nos preocupar mais com o bem-estar do binômio materno-fetal e criticar os excessos de ambos lados”, conclui Politano.