Desafios da longevidade

Desafios da longevidade

Médico David Uip explica como o Brasil conseguiu aumentar sua expectativa de vida nas últimas décadas e analisa o que devemos fazer para manter o bom desempenho para as próximas; infectologista debaterá temas
no 2º Congresso Brasileiro da Longevidade Seguros Unimed, dia 20, com transmissão ao vivo pelas redes sociais


Nas últimas seis décadas, o Brasil assistiu a um aumento expressivo da longevidade de sua população. A expectativa de vida, que em meados do século passado era de 60 anos, aproxima-se agora dos 80 – segundo dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e deve continuar subindo.

Um dos mais renomados infectologistas do país e ex-secretário de saúde de São Paulo, David Uip, 68 anos, aponta que a conquista de uma maior longevidade é para se comemorar. Para ele, três fatores especiais no Brasil colaboraram para esta evolução: água tratada, vacinação em massa e acesso a antibióticos. “Também tivemos alguns avanços pontuais, como melhor
diagnóstico e maior consciência para cuidados preventivos”, completa.

Todos estes avanços vêm contribuindo para o aumento da participação dos idosos no mercado de trabalho nos últimos anos. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, este percentual de inclusão aumentou de 5,9% em 2012 para 7,2%
em 2018.

Preparo físico e financeiro

Porém, Uip aponta que, apesar de tudo, é importante que a população se prepare ainda mais, física e financeiramente, para a vida mais longa. “A prevenção de doenças é um aliado eficiente e mais barato.” Fazer exercício físico, não fumar, manter uma alimentação saudável, diminuir o estresse e fazer exames preventivos são as cinco pontas que alicerçam a manutenção do bem – estar e que ainda podem ser melhorados por todos nós.

Já sob o ponto de vista econômico, o infectologista defende a criação de uma espécie de investimento particular em saúde pessoal. “Chega um momento em que as pessoas não têm mais como arcar com um plano de saúde privado, e isso acaba sendo fatal para elas”, exemplifica. “Sugeri (quando ajudou a formatar o capítulo de saúde do plano de governo do
candidato à presidência Geraldo Alckmin em 2018) viabilizar com os planos de saúde, seguros e a medicina suplementar e associativa uma espécie de poupança privada para que as pessoas pagassem antes para poder ter a garantia de assistência do plano depois. Ainda vejo esta como
a saída para o futuro, uma vez que as contas dos hospitais privados estão cada vez mais altas e isso também reflete no SUS.”

Entrevista com David Uip

Congresso da Longevidade Seguros Unimed

Mais prevenção contra novas epidemias

Outro ponto que Uip defende para manutenção da longevidade é a de um controle mais efetivo das epidemias. “Precisamos de políticas mais claras, na medicina suplementar e pública, para enfrentarmos o que virá. E temos de nos preparar sempre, porque virão outras epidemias. Isso é cíclico. Não precisamos aguardar que venham novas doenças epidêmicas ou endêmicas de outros países para definir o que fará daqui para frente”, diz o médico de vasta experiência no tema.

Prestes a completar 45 anos de carreira, Uip participou de forma ativa em vários capítulos importantes da infectologia nacional. Fez o primeiro diagnóstico de Aids no país em 1982, quando a doença era desconhecida, e mais recentemente, coordenou políticas de combate às epidemias de dengue, H1N1, chikungunya, zika e febre amarela quando foi secretário da saúde do Estado de São Paulo (2013-2018). Este ano, dirigiu o Centro de Contingência do coronavírus no estado, doença que inclusive contraiu e se curou. 2º Congresso Brasileiro da Longevidade Seguros Unimed.

Todas estas e outras experiências e reflexões sobre a longevidade, sistema público e complementar devem ser compartilhadas por Uip no próximo dia 20 de novembro, no painel Saúde e Bem-estar da 2º Congresso Brasileiro da Longevidade Seguros Unimed, evento 100% digital desenvolvido para entender e atender às necessidades do público sênior. O infectologista
estará ao lado do ator Ary Fontoura e da médica Kola Mulangi, presidente do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais e de Matriz Africana.

Com transmissão ao vivo e acesso gratuito pelas páginas oficiais do evento no Facebook e Youtube, o público poderá acompanhar o painel com o Dr. Uip, a partir das 13h45. A mediação será do ator Odilon Wagner.

Saiba mais sobre o Evento