Ilustração de casal na janela e a mulher está grávida
Consumismo x maternidade: como driblar o cerco da indústria desde a gravidez

Consumismo x maternidade: como driblar o cerco da indústria desde a gravidez

As fortes emoções fazem muitos pais e mães exagerarem nas compras para enfrentar a gravidez e primeira infância. Veja como escapar deste fenômeno.

Com o anúncio de um bebê a caminho, abre-se um novo mundo aos pais e mães – e com toda a felicidade, também chegam a ansiedade e medo. Diante das novas responsabilidades, comprar passa a ser uma das formas mais comuns para eles se sentirem amparados, especialmente se essa for a primeira gravidez do casal.

O consumismo é apresentado aos pais em todos os lugares, de blogs e sites a perfis no Instagram e grupos de Facebook. É um volume infinito de novos produtos e checklists do que os pais precisam comprar nesse momento.

“Se vermos a quantidade de produtos oferecidos desde a descoberta da gravidez, percebemos que é colocado para as mães de forma subliminar que é muito importante ter aquele berço, decorar o quarto do bebê com todos os mimos ou fazer uma sessão de fotos”, diz a pedagoga Luciana Brites, especializada em Educação Especial e fundadora do Instituto NeuroSaber.

Em um momento de emoções tão fortes, é difícil distinguir o que é necessidade ou impulso de consumismo.

“As mães são mais vulneráveis a este fenômeno porque, de forma geral, são as grandes responsáveis pelas compras neste momento, além de estarem mais emotivas e afetadas pelos hormônios”, completa Carol Sandler, fundadora do site Finanças Femininas e coach financeira especialista em mulheres. Entender essa realidade é uma das melhores ferramentas para lidar com a nova fase de um jeito mais maduro.


infográfico sobre gastos com o bebê no primeiro ano

Consumismo ou necessidade?

Para Sandler, uma das maiores armadilhas de consumismo durante a gravidez são as checklists – itens que os pais “precisam” comprar. Essa lista costuma incluir desde kit para berço a aquecedores de lencinhos umedecidos.

“Isso de ‘precisa comprar’ não existe. O certo é entender o que funciona para vocês. Por exemplo, algumas famílias se viram muito bem sem trocador no quarto, trocando o bebê em cima da cama e poupando este gasto. Se sairmos do mobiliário e entrarmos em acessórios, teremos um sem-fim de itens completamente desnecessários que pais sem experiência acabam comprando”, alerta.

Em vez de se apoiarem em listas já prontas na internet, pais e mães podem conversar com colegas que já passaram pela experiência da gravidez para entender os itens que são, de fato, necessários. “É importante que sejam pessoas com valores e estilo de vida parecidos com os seus”, reforça Sandler.

O momento de entender as necessidades da mãe e bebê já ajudará a separar o que é essencial e o que é um desejo de consumo. Antes de comprar, respire, espere que o item seja necessário e procure outras fontes de informação – isso ajudará a se afastar da lógica de consumismo. “A criança sempre nos mostra que gosta mesmo é de coisas simples. Mesmo que você busque itens sofisticados, ela preferirá brinquedos que agucem seus sentidos e, por isso, os mais industrializados podem não fazer sentido para ela”, finaliza Brites.