Ilustração de casal na janela e a mulher está grávida
Como se preparar para a amamentação

Como se preparar para a amamentação

A amamentação é o primeiro contato entre a mãe e o bebê, após a gestação. O aleitamento materno potencializa a saúde e é fundamental para o fortalecimento do vínculo entre os dois. Rico em mais de 250 substâncias imunizantes, o leite materno reduz em 13% a mortalidade até os 5 anos e pode prevenir doenças. Por isso, é fundamental que a mulher receba orientação para evitar obstáculos nesse momento da maternidade.

O leite materno deve ser, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o alimento exclusivo da criança nos seis primeiros meses de vida. O aleitamento deve permanecer, por livre demanda, por pelo menos dois anos. Amamentar é bom para a saúde da mulher e da criança. Para o bebê, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, leva a uma melhor nutrição e reduz as chances de obesidade.

Além disso, contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal e favorece o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. “O esforço que a criança faz para sugar o leite do peito da mãe é um exercício importante para a boca e para os músculos do rosto e irá repercutir positivamente na respiração, mastigação, deglutição, articulação da fala e no alinhamento dos dentes”, explica a médica de família Adriane Botassio. Já no caso materno, a amamentação contribui para a recuperação do útero, diminuindo o risco de hemorragia e anemia após o parto. “O aleitamento materno também ajuda a reduzir o peso e a minimizar o risco de desenvolver, no futuro, câncer de mama e de ovário, doenças cardiovasculares e diabetes”, acrescenta a enfermeira e consultora em amamentação Ligia Meirelles.

Dicas e mitos sobre a amamentação

No Brasil, a média de tempo de aleitamento materno exclusivo é de menos de dois meses, e de amamentação não chega a um ano. A imagem de uma mãe amamentando o seu bebê, envolta em uma aura de tranquilidade, não reflete que o ato nem sempre é simples. As dificuldades, principalmente no início, existem, mas podem ser superadas.

Dores causadas por rachaduras no bico do peito ou por seios muito cheios, a falta de apoio, informação e preparo, e até os conselhos de amigos e familiares mal informados são barreiras a serem vencidas. “Amamentar exige muita paciência. Chamamos de Lua de Leite o tempo que mãe e bebê necessitam para se conhecerem e se adaptarem à nova vida. O preparo é mais emocional”, detalha Ligia Meirelles. Informações especializadas de profissionais de saúde e de bancos de leite humano podem ajudar nesse caminho.

Antes de tudo, é preciso vencer alguns mitos sobre a amamentação. Não existe leite fraco ou insuficiente, não é necessário complementar o aleitamento exclusivo com água, suco ou chás; também não precisa usar cronômetros para medir o intervalo entre cada mamada. Atualmente, também não são mais orientados os cuidados com as mamas durante a gestação, o uso de buchas vegetais, de pomadas e de conchas rígidas.

Por outro lado, é fundamental saber qual a “pega” correta, isto é, a forma de posicionar o bebê junto ao seio. Tudo é uma questão de ajustar o encaixe. O bebê deve colocar a boca na aréola, e não no mamilo, e o rosto dele deve estar virado para a mama. É importante observar se os lábios estão virados para fora e se o queixo está encostando na mama. A pega correta garante a alimentação da criança e a manutenção da produção de leite materno. Para evitar o leite “empedrado” ou “ingurgitamento mamário”, as orientações são: oferecer o leite materno em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê desejar; dar as duas mamas; antes de iniciar as mamadas, fazer massagem nas mamas e o “Milk Shake”, sacudindo as mamas; e ordenhar um pouco o leite antes de cada mamada. O sucesso na amamentação passa ainda por ter uma alimentação saudável e equilibrada, assim como por uma rede de apoio pronta para ajudar.