Família do parque brincando. Mãe correndo atrás da filha.
Como é realizado o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Como é realizado o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O autismo recebe o nome de TEA porque é um conjunto de transtornos que pode variar em intensidade e característica. Em geral, inclui prejuízos na comunicação, na interação social, apresenta interesses restritos e comportamentos repetitivos. 

É possível observar precocemente alguns comportamentos atípicos nas crianças. “Em muitos casos, a percepção de que o comportamento do bebê é incomum costuma ocorrer entre os 12 e 24 meses de vida”, explica André Luiz de Sousa, neuropsicólogo do programa Cuidando de Perto, da Seguros Unimed. 

A noção de que há algo diferente no desenvolvimento da criança pode partir de diferentes figuras, como a família ou a escola. “Torna-se extremamente importante obter uma avaliação e diagnóstico adequados, uma vez que o desenvolvimento infantil é intenso, dinâmico e complexo”, acrescenta o especialista. 

Sinais de atraso

Existem marcos que são importantes referências para identificação de déficits e sintomas, segundo André Luiz de Sousa. Eles indicam a necessidade de encaminhamento para intervenção precoce. 

Alguns sinais de alerta importantes no primeiro ano de vida são descritos no manual de orientação sobre TEA publicado pelo Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria):

  • Aos 6 meses – poucas expressões faciais, contato visual precário, ausência de sorriso social e pouco engajamento sociocomunicativo.
  • Aos 9 meses – não balbucia “mamã e papá”; não olha quando chamado; não olha para onde o adulto aponta; imitação pouca ou ausente.
  • Aos 12 meses – ausência de balbucios, não apresenta gestos convencionais (abanar a mão para dar tchau, por exemplo), não fala mamãe e/ou papai.
  • Em qualquer idade – perda de habilidades.

Não existe um exame específico para detectar o TEA. O diagnóstico clínico é baseado na observação direta do comportamento do paciente e de entrevistas com os pais. “Os especialistas também contam com instrumentos de rastreios, como testes e escalas, que são realizados quando há suspeita de TEA”, esclarece o neuropsicólogo do Cuidando de Perto.

Um deles é o Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT), que costuma ser aplicado em crianças entre 16 e 30 meses e deve ser utilizado exclusivamente por especialistas, uma vez que um processo de diagnóstico envolve a análise e correlação de inúmeros dados e fatores que somente uma equipe multidisciplinar está apta a interpretar. Os especialistas incluídos nesse trabalho costumam ser neurologistas, pediatras, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. 

Durante a investigação, exames clínicos e de imagem podem ser solicitados a fim de excluir outras hipóteses diagnósticas. “Até que o diagnóstico de TEA seja confirmado, muitas famílias mergulham em um profundo mar de angústias, medos e incertezas”, diz André Luiz de Sousa.

Prazo médio do diagnóstico

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o diagnóstico de TEA ocorre, em média, aos quatro ou cinco anos de idade. “Esse dado revela que o Brasil é um dos países que, lamentavelmente, tem grande incidência de diagnóstico tardio”, afirma André Luiz de Sousa

Embora não exista cura para o autismo, o diagnóstico precoce contribui para o breve encaminhamento a recursos terapêuticos que promovem o desenvolvimento de habilidades como autonomia, independência, melhora das funcionalidades e qualidade de vida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula em 70 milhões o número de pessoas com TEA em todo o mundo. No Brasil, segundo a entidade, há 2 milhões de casos diagnosticados (neste volume ainda não constam os dados do censo do IBGE 2020, adiado em virtude da covid-19).

Graus de comprometimento

O transtorno se apresenta em graus variados. De acordo com o grau de comprometimento de habilidades e dependência de suporte, é classificado como autismo leve, moderado ou severo. Esse amplo contexto abrange desde altas habilidades cognitivas até uma deterioração profunda do nível intelectual, além da presença, com maior ou menor intensidade, de comportamentos estereotipados como agitação, repetição de movimentos e interesses restritos. 

“Nessa perspectiva, a descoberta do diagnóstico na vida adulta pode causar profundos prejuízos emocionais e sociais; por isso se ressalta a importância da investigação e intervenção precoce”, pontua o especialista da Seguros Unimed.

A conclusão do processo diagnóstico caracteriza-se como uma etapa essencial para maior assertividade nas terapêuticas a serem aplicadas posteriormente. O uso de medicação é uma estratégia de cuidado indicada a determinados casos de TEA. As medicações podem ser recomendadas para tratar sintomas como agressividade, agitação psicomotora, distúrbios do sono e alimentares, ansiedade e depressão. Algumas são indicadas para auxiliar na melhora da atenção, concentração ou otimizar o tempo de tolerância na realização de atividades que envolvem outros aspectos cognitivos. 

“Cada criança que recebe o diagnóstico de TEA deve ser respeitada em sua singularidade e seu tratamento ser orientado com base em suas necessidades individuais”, enfatiza o psicólogo. 

“É desejável que a criança esteja no centro do processo de cuidado. Deverá ser formada uma rede de apoio e proteção composta por família, escola, comunidade, serviços de saúde e associações de bairro, entre outros, para ajudar a desconstruir rótulos, evitar sua estigmatização, promover a sua inclusão social e garantir que seja vista, sobretudo, como uma criança em desenvolvimento, ou seja, superando desafios”, finaliza André. Na visão dele, dessa maneira será possível compreender o significado do que escreveu Antoine de Saint-Exupéry (1900 – 1944): “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”

O Cuidando de Perto tem uma linha específica para atender beneficiários da Seguros Unimed com TEA. Ele contempla ações de educação em saúde, suporte social e emocional para as famílias, além de monitoramento clínico por equipe multidisciplinar. Acesse aqui para conhecer mais sobre o Programa de Autismo.