Ilustração de casal na janela e a mulher está grávida
Como e por que cuidar da saúde mental da mulher após o parto

Como e por que cuidar da saúde mental da mulher após o parto

Da gravidez ao puerpério, o corpo e a mente passam por transformações. O ciclo de periparto pode vir acompanhado por oscilações de humor, situações às quais os profissionais de saúde e a rede de apoio precisam estar atentos. Oito em cada dez mulheres podem desenvolver “blues puerperal”, um estágio caracterizado por humor deprimido que pode ser revertido, espontaneamente, em até duas semanas. Há outras, que chegam a ter depressão.


 “No blues puerperal, após o nascimento do bebê, pode ocorrer falta de ânimo, de energia, de prazer na realização das coisas e na rotina. Pode ocorrer também irritabilidade, aceleração do pensamento e falta de concentração. Porém, isso deve regredir em até duas semanas”, explica a psicóloga colaboradora do Programa de Transtornos Afetivos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) Cynthia Boscovich. O blues puerperal tem como pano de fundo as adaptações da maternidade, que incluem a privação do sono e a queda de hormônios.

Quando os sintomas persistem por mais de duas semanas, a mulher pode estar enfrentando um quadro depressivo. A depressão pode acometer de 15% a 20% das puérperas. Para que o diagnóstico seja feito, é necessário o preenchimento de critérios, incluindo alguns sintomas: humor deprimido, na maior parte do dia; diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades; perda ou ganho de peso; insônia ou hipersonia; fadiga ou perda de energia; agitação ou retardo psicomotor; pensamentos recorrentes de morte; e dificuldade de concentração.

Mulheres com histórico de depressão têm 50% mais chances de desenvolver a doença no período pós-parto. A genética também gera predisposição. Problemas conjugais, falta de interação social e casos de violência doméstica podem funcionar como gatilho.

A importância do diagnóstico

“É fundamental saber diferenciar o tipo de depressão, se ela é unipolar ou bipolar, pois isso determinará o tipo tratamento”, acrescenta Cynthia Boscovich. A depressão unipolar é caracterizada apenas por um estado depressivo, enquanto na depressão bipolar ocorre uma oscilação de humor, variando em estados depressivos e outros de mania/hipomania. “No caso da bipolar, a mulher pode ter, além dos sintomas depressivos, aumento de energia ou estado de euforia, podendo ocorrer também aceleração do pensamento, irritabilidade, distratibilidade, redução da necessidade do sono, agitação psicomotora, entre outros”, diz a psicóloga. É nesse estado que, em geral, a mãe pode oferecer risco ao bebê.

gif de mãe com o bebê no colo

Quando se percebe a existência de algum dos sintomas citados acima, o recomendado é buscar um profissional especialista em transtornos de humor, que pode ser um psicólogo ou psiquiatra e até o médico de família, para fazer um diagnóstico e estabelecer um plano de tratamento. O tratamento pode ser com psicoterapia, medicamentos ou a combinação dos dois.

Prevenção

É fundamental que os profissionais estejam preparados para identificar precocemente os sintomas e também para agir prevenindo gatilhos de desenvolvimento da doença. A privação de sono, a mudança alimentar e a redução da interação social podem ser alguns deles. Praticar exercícios físicos, alimentar-se bem e manter uma rotina podem proteger a mulher e a criança. Também é importante que a família e os amigos se engajem na rede de apoio às necessidades dela. “Organizar a rotina e cuidar do ambiente em que a puérpera está podem ser fatores protetivos”, lembra Cynthia Boscovich. Atitudes que podem ser preventivas são organizar as refeições da mulher, realizar os afazeres domésticos, incentivá-la a descansar, ouvi-la, reforçar positivamente a maternidade e ofertar apoio prático e ajuda especializada em caso de dificuldades na amamentação e na rotina pós-parto.