Família do parque brincando. Mãe correndo atrás da filha.
Afinal, o que é autismo?

Afinal, o que é autismo?

O autismo é um transtorno do desenvolvimento. Os primeiros sinais costumam ser observados pelos pais, ao perceberem comportamentos atípicos dos filhos. Podem abranger dificuldade de comunicação e interação das crianças, atraso na fala, movimentos repetitivos ou apego extremo a determinados objetos, entre outras reações.

O termo técnico, Transtorno do Espectro do Autista (TEA), dá a dimensão da variedade de condições associadas ao autismo. Por isso, não é incomum a demora para fechar o diagnóstico do autismo. Essa jornada de buscas de
explicações e orientações causa forte impacto nas famílias.

A Seguros Unimed tem uma linha de cuidados dedicada a todas crianças e
adolescentes autistas que contempla ações de educação em saúde e suporte
social e emocional para os familiares, além de auxiliar o segurado na busca de serviços especializados monitoramento clínico. Ela faz parte do programa Cuidando de Perto.

O médico pediatra, Alessio Fernando, integrante do grupo de especialistas do Cuidando de Perto, esclarece algumas questões sobre o TEA.

Em que idade podem ser percebidas características do Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

O TEA tem origem nos primeiros anos de vida. Porém, sua trajetória inicial não é uniforme. Em algumas crianças é aparente logo após o nascimento, em outras, os sinais e sintomas só se fazem aparentes por volta dos 12 aos 24 meses de idade. Por falta de observação mais atenta e de investigação, o
diagnóstico acaba ocorrendo aos 4 ou 5 anos de idade, em média.

A que especialista a família deve recorrer se observar comportamentos atípicos da criança? Qual a especialidade médica responsável por identificar o TEA?

TEA é um conceito amplo, caracterizado por alguns aspectos principais: dificuldade de interação social, de comunicação e repetição de comportamentos padronizados.
Inicialmente, o pediatra seria o primeiro profissional a realizar o diagnóstico ou ao menos levantar a hipótese diagnóstica. Se esse profissional não se sentir confortável em fechar o diagnóstico, ele direcionará o paciente a um pediatra especializado em desenvolvimento infantil ou a um neuropediatra. Alguns diagnósticos também são realizados pelo psiquiatra.

Como é realizado o diagnóstico do TEA?

O diagnóstico do TEA é clinico. Realiza-se através da coleta da história clínica do paciente, análise comportamental e aplicação de escalas de avaliação de reconhecimento. Os critérios de avaliação são definidos internacionalmente.
Na maioria das vezes, a avaliação multiprofissional contribui para fechar o diagnóstico de casos mais complexos, com auxílio da análise de fonoterapia, terapia ocupacional e psicológica, entre outros recursos.
Portanto, não existe um exame que faça o diagnóstico do TEA. Ele se baseia em um conjunto de informações obtidas dos cuidadores, da análise do paciente e da aplicação de testes de avaliação.

O diagnóstico precoce beneficia o desenvolvimento do paciente?

A intervenção precoce faz toda a diferença no desenvolvimento do paciente, por isso a importância da avaliação correta ao primeiro sinal de alterações.
Retardar a estimulação significa perder o período que otimiza a aquisição de habilidades da criança.

Há vários graus de comprometimento no TEA. Em certos casos, dá para ter uma vida comum, com autonomia?

O grau de comprometimento mais leve seria aquele em que o paciente necessita de pouco suporte no seu dia a dia. Ele tem alguma dificuldade de comunicação, mas sem que isso limite sua interação social. Um programa de treinamento adequado supre essas dificuldades e permite inserção em seu meio social.
Pessoas com deficiência intelectual severa ou outras doenças associadas ao TEA, chamadas de comorbidades, precisam de suporte constante.
O programa Cuidando de Perto voltado ao TEA surgiu justamente para fornecer orientação desde a etapa da investigação até a formulação do programa de tratamento mais apropriado a cada caso. Uma equipe multidisciplinar acompanha constantemente o desenvolvimento do paciente.